Dados do estudo preliminar da flora da Serra do Lopo fornecidos pela Oficina Ambiental da Prefeitura Municipal de Extrema
Serra do Lopo x Mata Atlântica
Grande parte da Serra é recoberta por formações vegetais características da Mata Atlântica.
A área nuclear da mata no país situa-se nas Serras do Mar e da Mantiqueira, nos estados do Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, regiões muito desenvolvidas no país, portanto sua conservação merece prioridade por se tratar da área mais explorada e devastada do país
Várias espécies que ocorrem na mata são endêmicas, das 10 mil espécies vegetais ocorrentes neste bioma, cerca de 50% são endêmicas, aproximadamente 55% das espécies arbóreas e 40% de herbáceas, e no caso de bromeliáceas e orquidáceas chega a 70%. Quanto à fauna, 39% dos mamíferos que vivem na floresta são endêmicos e mais de 15% dos primatas existentes do Brasil habitam a floresta.
Desde o período de colonização até os dias atuais a floresta tem sido intensamente explorada e após mais de quinhentos anos de destruição contínua, a mata que recobria grande parte do território brasileiro, aproximadamente 100 milhões de hectares, apresenta hoje menos de 7% da sua vegetação original, que se encontra muito perturbada e fragmentada, restringindo-se a uma pequena faixa da região litorânea e a alguns remanescentes nos planaltos e serras do interior, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul (Dean, 1996).
A Floresta Pluvial Atlântica caracteriza-se por possuir camadas de vegetação claramente definidas. As copas das altas árvores formam o dossel e chegam a atingir de 30, e as emergentes 40m. Na parte mais baixa, nascem e crescem arbustos e pequenas árvores, que são os bambus, as samambaias gigantes, líquens que toleram menos luz, formando os chamados sub-bosques. Tanto nas árvores mais altas como nas mais baixas encontram-se várias outras espécies, como diversos tipos de cipós, bromélias, orquídeas e gavinhas. O piso da floresta é coberto por uma densa camada de serrapilheira, que protege o solo e alimenta a fauna e a própria floresta pela decomposição destes materiais.
A Mata Atlântica apresenta algumas sub- tipologias, como a Floresta Pluvial Montana, Floresta Pluvial Baixo Montana, Floresta Pluvial Ripária e em Manchas, Floresta de Araucária e Floresta dos Tabuleiros.
As variações ambientais extremas da Mata Atlântica gera uma gama de cenários, resultando em uma elevada biodiversidade.
A distribuição das diferentes formações vegetais está intimamente relacionada às condições edáficas e climáticas, que variam de acordo com os gradientes topográficos e que determinam a abrangência de uma ou outra tipologia vegetal, sendo que, em alguns locais misturam-se aspectos de mais de um tipo.
De acordo com a nomenclatura do IBGE, a Serra do Lopo apresenta as seguintes formações:
4.2 Floresta ombrófila densa ou Floresta pluvial atlântica
As principais características desta formação vegetal são, a perenifolia, presença de lianas lenhosas e elevada quantidade de epífitas.
O porte destas florestas varia principalmente em relação à altitude, podendo apresentar dossel superior à 30m de altura, em altitudes mais baixas, e atingir 10m em altitudes mais elevadas, devido à deposição do solo.
Duas sub-tipologias podem ser identificadas na região: a Floresta ombrófila densa Montana, que se caracteriza pela presença de grandes árvores, podendo ultrapassar 30m de altura, e a Floresta Alto Montana também conhecida como nebular, que se localiza em altitudes superiores a 1500m em áreas de concentração de umidade nebular, seu porte devido à elevada altitude de forma geral é menor. Nesta última há ocorrência de grande quantidade de líquens e a família das mirtáceas (goiaba, jabuticaba, araçá) é bem representada.
De forma geral, é grande a presença de epífitas, principalmente bromélias, que geralmente formam populações densas sobre as árvores. Diversas espécies desta família apresentam morfologia que possibilita o acúmulo de água em seus tanques, e abrigam centenas de espécies de algas, fungos, insetos, aracnídeos, anfíbios e outros. Ao mesmo tempo atuam como reservatório de água para vertebrados como aves e alguns mamíferos, como o Saá.
Quanto às espécies de porte arbustivo e arbóreo destacam-se as seguintes:
Ainhuva, Pau Jancada, Capororoca, Sassafrás, Espinheira Santa, Jabuticaba, Cedro, Canjarana.
4.3 Floresta ombrófila mista
Está formação se caracteriza pela predominância da espécie de pinheiro conhecida como Araucária, sendo por isso também conhecida como mata de araucária.
A araucária possui caráter heliófito, ou seja, apenas germina em ambientes de intensa luminosidade, que a define como uma planta pioneira, pois é incapaz de se regenerar em ambientes sombreados. Deste modo, a mata de araucária é considerada como um estágio seral e não uma formação vegetal definida por espécies clímax, no entanto, devido as suas características arquiteturais e fácil visualização mesmo em menor densidade, a mata recebe este nome.
Dentre as espécies presentes nesta formação, podemos destacar o pinheirinho e o xaxim, além de diversas espécies da família Lauraceae (canela, abacateiro, louro). Este conjunto de espécies torna o ambiente agradável, com considerável beleza paisagística, com grande potencial turístico.
4.4 Floresta ombrófila semidecídua ou estacional semidecidual
Vegetação condicionada pela dupla estacionalidade climática, uma tropical com época de intensas chuvas de verão, seguida por estiagem acentuada e outra subtropical sem período seco, mas com seca fisiológica provocada pelo intenso frio do inverno, com temperaturas médias inferiores a 15°C. Possui vegetação que perde parte de suas folhas em certa época do ano.
As epífitas são menos freqüentes que nas formações ombrófilas, mas é grande a presença de lianas. Dentre as espécies que caracterizam esta tipologia vegetal está o angico e o jacarandá-tã, ambas pertencentes à família leguminosa, que de forma geral, está bem mais presente em formações estacionais que nas demais.
Dentre todas as formações, a floresta estacional semidecidual é a que se encontra mais impactada, por situar-se em áreas menos declivuosas e com maior densidade humana. Restam poucos fragmentos da mata original e a maioria encontra-se em estágio secundário.
4.5 Mata ciliar ou mata de galeria
Trata-se de uma mata estreita localizada a beira dos cursos d’água. È denominada mata ciliar, pois como os nossos cílios protegem os olhos, elas protegem o rio, sendo, portanto decisiva para a proteção dos recursos hídricos. As características desta mata esta relacionada com o local onde se inseri. Em regiões íngremes a vegetação predominante é de porte arbóreo, já em regiões de várzea predomina vegetação de porte herbáceo-arbustivo.
Como dito as matas ciliares são de fundamental importância, pois impedem o assoreamento dos rios, alagamentos, deslizamento de morros, além de proteger o solo e fornecer condições para a sobrevivência da fauna.
Nas encostas da Serra do Lopo, elas ocorrem ao longo das nascentes de importantes cursos hídricos, cumprindo um importante papel de proteção aos mananciais.
4.6 Capoeiras
As capoeiras são formações vegetais que se encontram em processo de regeneração.
A fase inicial de regeneração caracteriza-se pela alta densidade de indivíduos arbustivos e arbóreos em crescimento, com dossel que não ultrapassa 2m de altura.